Eu sempre acho que amanhã será o dia de mudar de vez, de me assumir por
completo. Mas daí o amanhã chega e tenho uma imensa preguiça de sair da
minha área de conforto, porque é bem provável que ninguém entenda. E dá
medo encarar o que é definitivo. E porque é mais fácil reclamar da vida
do que torná-la leve de sobreviver. Hoje eu sinto saudade e nem sei do
quê. É uma angústia louca, um misto de vontade de chorar e sorriso leve.
Eu não sei citar motivos, mas alguma coisa me falta. Estou ao mesmo
tempo feliz e deprimida, tenho companhia e nunca fui tão sozinha, tenho
sucesso e nuna me senti tão fracassada. Eu crio mil planos pra mim e
boicoto todos eles. A vida é tão cheia de ciclos e fases e eu me agarro
doentiamente ao conhecido. Eu evito mudanças drásticas, sabendo que são
meus impulsos mais interessantes e busco o conforto da mesmisse. É
ridículo, não há surpresas. Ninguém nunca espera que eu saia dos meus
limites. Quem me conhece de verdade? E quem sabe dos momentos que eu
estou a ponto de explodir? As saudades são grandes, o telefone mudo. Me
identifico com livros e personagens e nem tenho uma história pra contar.
E se eu contar, quem vai se importar? Eu me importo, e muito. Quero
marcar mais quem passa por mim, quero perder esse medo de não agradar,
essa preocupação em ser o que todos esperam. Tentando não incomodar
ninguém eu fico neutra. Invisível. E todas as minhas experiências de
falta de preocupação já me indicaram que seria bem melhor me assumir. Eu
não sou tímida. Sou calculista.
E essa falta... Na verdade eu sei, mas não queria saber... É falta de mim.”
— Verônica Heiss
E essa falta... Na verdade eu sei, mas não queria saber... É falta de mim.”
— Verônica Heiss
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